Mato Grosso do Sul já tem uma cadeia sucroenergética consolidada, mas os números apresentados no BioEnergy Summit apontam que a próxima etapa do setor pode envolver uma matriz de combustíveis renováveis mais diversificada. Entre etanol, biometano, SAF e diesel verde, o Estado reúne produção agrícola, estrutura industrial e espaço para novos projetos ligados à transição energética.

Realizado em Campo Grande nesta terça e quarta-feira (15 e 16), o evento reúne representantes do setor produtivo, especialistas, investidores e agentes públicos para discutir os caminhos da bioenergia no Brasil e as oportunidades associadas à economia de baixo carbono.

Atualmente, Mato Grosso do Sul possui 22 usinas em operação e produz mais de 4 bilhões de litros de etanol por ano. Para a safra 2025/2026, as projeções apresentadas no encontro estimam 52 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 5 bilhões de litros de etanol e 2,1 milhões de toneladas de açúcar.

Setor já movimenta milhares de empregos

A dimensão da cadeia também aparece nos indicadores econômicos. Segundo os dados apresentados durante o Summit, o segmento reúne mais de 34,5 mil empregos diretos e terceirizados, movimenta cerca de R$ 1,4 bilhão em massa salarial e corresponde a 19% do PIB industrial de Mato Grosso do Sul.

Para o economista e sócio-diretor da Agricon Consultoria, Hudson Garcia, a transição energética pode representar uma etapa de expansão econômica para o Estado.

“Mato Grosso do Sul não está apenas acompanhando a transição energética. O Estado está liderando uma nova fase da bioenergia no Brasil. Os números apresentados aqui mostram a dimensão econômica desse setor, que já gera mais de 34,5 mil empregos diretos e terceirizados, movimenta R$ 1,4 bilhão em massa salarial e representa 19% do PIB industrial do Estado.”

Biometano aparece como nova fronteira

Embora o etanol continue sendo o principal produto da cadeia, o aproveitamento de resíduos e outras matérias-primas para a produção de biometano surge como uma das possibilidades de expansão discutidas no evento.

A estimativa apresentada por Garcia aponta para um potencial de até 7 milhões de metros cúbicos de biometano por dia em Mato Grosso do Sul.

“O futuro vai além do etanol. Mato Grosso do Sul tem um potencial estimado para gerar 7 milhões de metros cúbicos de biometano por dia, o que coloca o Estado diante de uma oportunidade muito importante na nova economia de energia limpa. Estamos falando de uma cadeia que conecta o agronegócio, a indústria, a energia e novos investimentos.”

Na avaliação do economista, a diversificação também envolve mercados relacionados ao Renovabio, ao combustível sustentável de aviação (SAF) e ao diesel verde. Para que essas possibilidades resultem em novos empreendimentos, porém, ele aponta a previsibilidade regulatória e a segurança para os investidores como fatores necessários.

“Quando falamos de Renovabio, biometano, SAF e diesel verde, estamos falando de mercados que podem gerar novas oportunidades para Mato Grosso do Sul. Para que esse potencial se transforme em investimentos, empregos e desenvolvimento, a previsibilidade regulatória e a segurança para quem investe são fundamentais.”

Agronegócio e indústria no mesmo caminho

Os dados apresentados no BioEnergy Summit também relacionam a expansão da bioenergia ao desempenho econômico de Mato Grosso do Sul. Em 2023, o PIB estadual cresceu 13,4%, segundo informações apresentadas no evento, com influência principalmente do agronegócio.

Nesse cenário, a integração entre produção agropecuária, indústria e geração de energia renovável aparece como uma das bases para ampliar o aproveitamento das matérias-primas disponíveis no Estado.

Para a Agricon Consultoria, a participação no Bio Energy Summit permite acompanhar as mudanças no setor e observar oportunidades associadas à transformação da matriz energética.

“É um momento estratégico para Mato Grosso do Sul. O Estado tem matéria-prima, capacidade produtiva e uma cadeia agroindustrial cada vez mais estruturada. A questão agora é como transformar essas vantagens em novos projetos, investimentos e desenvolvimento sustentável de longo prazo”, afirma Hudson Garcia.