O Consórcio Guaicurus contestou as informações apresentadas pela equipe responsável pela intervenção no transporte coletivo de Campo Grande e afirmou que o relatório divulgado à Câmara Municipal deixou de mencionar uma dívida de aproximadamente R$ 27 milhões que, segundo a concessionária, é de responsabilidade da Prefeitura. Em nota, a empresa sustentou que os problemas financeiros decorrem do desequilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão. 

Empresa rebate diagnóstico da intervenção

A manifestação ocorreu após os interventores apresentarem um balanço preliminar dos primeiros dias de trabalho, apontando dívidas bancárias, atrasos com fornecedores, fragilidades administrativas e problemas operacionais no sistema de transporte coletivo da Capital. O relatório indicou cerca de R$ 14,8 milhões em débitos bancários, além de pendências financeiras com fornecedores. 

Em resposta, o Consórcio afirmou que o documento confirma um cenário que, segundo a empresa, já vinha sendo comunicado ao poder público: o contrato estaria financeiramente desequilibrado há anos.

Concessionária cobra repasses e revisões contratuais

Na nota, o grupo afirma que a Prefeitura deixou de cumprir obrigações previstas na concessão, entre elas a realização das revisões periódicas do contrato e a execução de obras de infraestrutura previstas no edital.

Segundo a concessionária, também há valores pendentes de repasse pelo município que somam cerca de R$ 27 milhões. Para o Consórcio, essa informação não foi incluída na apresentação feita pelos interventores aos vereadores, o que comprometeria a análise da situação financeira da empresa. 

Ainda conforme a manifestação, a falta de reequilíbrio econômico-financeiro obrigou as empresas integrantes do grupo a recorrerem a empréstimos bancários e aportes próprios para manter a operação do transporte coletivo.

Empresa nega risco de paralisação

O Consórcio também rebateu a interpretação de que o sistema estaria próximo de interromper as atividades. A concessionária reconheceu dificuldades financeiras e operacionais, mas afirmou que manteve os ônibus em circulação mesmo diante da redução no número de passageiros registrada após a pandemia e do aumento dos custos de operação. 

Entre os fatores apontados para o agravamento da situação estão a queda da demanda pelo transporte coletivo, o crescimento de meios alternativos de deslocamento e a ausência das revisões contratuais previstas.

Intervenção continua por até 210 dias

A intervenção foi decretada pela Prefeitura de Campo Grande em 16 de junho e poderá durar até 210 dias. Durante esse período, a equipe nomeada pelo Executivo realizará auditorias administrativa, financeira, operacional e contratual para subsidiar a decisão sobre o futuro da concessão.

Entre as possibilidades está a manutenção do contrato, a adoção de medidas corretivas ou até a declaração de caducidade da concessão, caso sejam constatadas irregularidades que justifiquem a medida.

Com informações VoxMS